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A VIOLÊNCIA CONTRA O ÍNDIO (Marcelo Ferreira Lemos)
Hoje em nossa classe recebemos a visita de uma professora que falou sobre os índios.
Dona Marta viveu durante muito tempo numa comunidade indígena, onde aprendeu muito sobre a verdadeira história dos índios.
Fiquei surpreendido com as coisas que ela contou, pois não tinham nada a ver com tudo que aprendi nos livros e que ainda ouço falar nas reportagens e noticiários.
Eu havia aprendido, desde pequeno, que o índio é selvagem, preguiçoso, agressivo. Eu ouvia falar do índio como se ele fosse algo do passado, do tempo do descobrimento e da colonização do Brasil.
Dona Marta falou dos índios como um povo que existiu desde antes do descobrimento e ainda existe até hoje.
Ela nos fez refletir fazendo muitas perguntas, como: "Dizem que o índio é guerreiro, selvagem, rebelde. Mas quem invadiu primeiro as suas terras? Quem trouxe armas mais fortes? Quem trouxe aos índios doenças que eles não conheciam?"
Dona Marta parecia muito sentida quando disse: "É... e ainda chamam o índio de rebelde."
Continuando, ela nos falou que, quando os colonizadores chegaram ao brasil, já existia aqui um povo com seus costumes, seus hábitos, suas formas já definidas. Os índios tinham uma organização social como qualquer outro povo. Para eles, era o ideal; e o importante é que viviam felizes assim.
O branco chegou e quis modificar tudo. E ainda queria que o índio aceitasse calado?
Os que aceitavam eram chamados de catequizados e os que reagiam eram chamados de selvagens.
Para finalizar, Dona Marta deixou-nos uma frase e pediu que pensássemos sobre ela: "O índio tem direito à terra, a conservar sua cultura e a ser respeitado como pessoa humana".
VENCI, PORQUE SUPEREI OS PRECONCEITOS (Moacir Andrade)
Há pouco tempo, terminei, com muito sacrifício, meu curso de engenharia e consegui um bom emprego numa indústria. Sou chefe de um departamento e o importante é que faço aquilo que gosto.
Essa conquista na minha vida me fez refletir sobre a minha infância, no tempo em que fiz o curso primário.
Lembro-me de que, quando estudava nos livros, aprendi coisas erradas sobre o negro.
Nas histórias que eu lia, aprendi que o negro era o escravo que um dia foi libertado. Aprendi também que o negro era sempre o empregradinho, o menos inteligente, o safado e até mesmo o marginal. Às vezes, aparecia nas histórias um negro bonzinho, mas tão coitadinho, que era digno de dó.
Para mim, a África era apenas um lugar de onde vinham os escravos negros. Eu não sabia que a África era um grande continente, onde vive um grande povo. Eu não sabia que a raça negra, tão importante como as outras raças, representa uma grande parte da população do mundo.
Hoje eu penso: O que teria acontecido comigo se tivesse acreditado em tudo isso que os livros e as pessoas contavam e ainda contam?
Certamente, teria me conformado em terminar apenas o curso primário, arrumado um emprego que talvez nem desse para comer.
Eu poderia até ter me revoltado com tudo que ouvia e sair pela vida dando cabeçadas, se acreditasse que o negro era alguém inferior.
Não posso dizer que subi na vida. Isso não me importa, mas sim a minha realização como profissional e como pessoa.
Nesse mundo, onde na maioria das vezes, só o branco ocupa posições de destaque e liderança, eu me vejo como alguém que cresceu. Alguém que superou preconceitos e discriminações.
Hoje eu entendo que um indivíduo é alguém pelo seu esforço e dedicação e não pela sua cor.
É fundamental que tenhamos convicções próprias, jamais aceitemos a omissão imposta por convenções ou preconceitos.
O CEGO E O DINHEIRO ENTERRADO (Luís da Câmara Cascudo)
Um cego muito econômico guardava suas moedas em casa e, temendo aos ladrões, resolveu esconder seu tesouro no quintal. Cavou um buraco ao pé de uma árvore, debaixo da raiz, e deixou seu dinheiro bem disfarçado.
Sucedeu que um vizinho, vendo-o ir tão cedo para o fundo do quintal, acompanhou-o, descobrindo o segredo. Quando anoiteceu, voltou à árvore e furtou todo o dinheiro que o cego enterrara.
Pela manhã, o dono veio, tateando, verificou ter sido roubado. Como não resolvia chorar ou queixar-se, fingiu não ter sido visitado pelo ladrão e começou a pensar em uma forma de readquirir seu dinheiro sem barulho.
Foi procurar o vizinho e lhe falou, por aqui assim: "Vizinho, nesse tempo ninguém pode ter confiança senão em si mesmo, apesar dos dentes morderem a língua e ambos viverem juntos. Juntei minhas economias e escondi num pé de árvore ali no meu quintal, pensando ser lugar bem seguro. Acabo de receber um dinheiro que emprestara e vim pedir conselho a você. Guardo tudo junto ou levo esse dinheiro para a cidade?"
O vizinho pensou logo em pegar todo o dinheiro do cego e aconselhou-o que deixasse tudo junto, no mesmo canto já antigo.
E logo que escureceu, correu e foi levar o que tirara na noite anterior, para o cego não desconfiar. Cobriu tudo de areia, alisou, retirou-se. Mais tarde, o cego procurou o cantinho velho e tomou posse do seu dinheiro ali restituído pelo vizinho que sonhava ficar com tudo.
E quando o ladrão voltou, encontrou apenas um buraco oco, sem um níquel sequer.
AMIGOS... (José de Alencar)
Certo homem rico tinha três amigos: a um estimava mais que a si mesmo; a outro, embora estimasse menos, ainda lhe consagrava grande amizade; ao último, se não lhe era totalmente indiferente, pouca importância lhe dava. Certo dia, foi acusado de um crime. Teve de comparecer perante o tribunal, embora estivesse inocente.
Recorreu ao seu melhor amigo para que o defendesse e lhe servisse de testemunha. Este recusou-se alegando que os seus multiplicados trabalhos não lhe permitiam atendê-lo.
Bateu à porta do segundo. Este acompanhou-o até a porta do tribunal, mas não entrou, desconfiado de que suspeitassem dele e o prendessem.
O terceiro, o menos estimado, do qual pouco ou nada poderia esperar, acompanhou-o na sua desdita, defendeu-o, mostrou a inocência do acusado. Com tanta veemência o defendeu que conseguiu absolvição.
Todos nós temos três amigos que, à hora da morte, procedem para conosco como os três amigos de que nos fala esta história: o dinheiro, os amigos e as boas ações.
O dinheiro abandona-nos logo, em casa. Os amigos, quando muito, nos acompanham até o cemitério. As boas obras acompanham-nos sempre, e é com elas que apareceremos ante o grande tribunal de Deus.
Só levaremos, deste mundo, as nossas boas ações.
OS VASOS PRECIOSOS (Malba Tahan)
Um príncipe poderoso possuía vinte vasos de porcelana, belíssimos, que eram seu orgulho. Guardava-os numa sala especial, onde ficava durante muitas horas a admirá-los.
Um dia, sem querer, um criado quebrou um dos vasos.
O príncipe, enfurecido e inconsolável com a perda do precioso objeto, condenou à morte o desastrado.
Nessa ocasião, apresentou-se no palácio um velho sábio que se propôs a consertar o vaso de maneira a ficar perfeitamente igual aos outros, mas, para isso, precisava ver todos juntos.
A sua proposta foi aceita. Sobre uma mesa coberta com riquíssima toalha, estavam os dezenove vasos enfileirados. Aproximando-se o sábio, como se tivesse enlouquecido, puxou com violência a toalha e os vasos tombaram ao chão, em pedaços.
O príncipe ficou mudo de cólera, ams antes que ele falasse, o sábio, tranqüilamente, explicou:
- Senhor, estes dezenove vasos poderiam custar a vida a dezenove infelizes; assim, dou por estes a minha, porque, velho como sou, para nada sirvo.
Refletindo, o príncipe compreendeu que todos os vasos do mundo, por mais belos e preciosos, não valiam a vida de um ser humano.
Perdoou o sábio e também ao servo desastrado.

Fonte: Brincando com as palavras: comunicação e expressão: 4a série, 1o grau/Joanita Souza. - São Paulo: Ed. do Brasil, 1985

A RECONSTRUÇÃO DO MUNDO (Clóvis Tavares)
Sexta-feira, sete e meia da noite. Um trabalhador, um grande homem, experiente e admirado por todos, chega em casa e joga sobre a sua escrivaninha um maço de papéis. São relatórios, cálculos e contas que ficaram pendentes durante toda a semana. O seu sonho de ascensão profissional é tudo o que importa em sua vida.
Ele sonha em ganhar mais e, assim reformar sua casa, seu carro, sua mulher e sua vida. Mergulhado em seus afazeres, nem percebe a chegada do filho de oito anos, que tanto o esperava. O menino sorri e pergunta:
- Pai, vamos brincar?
- Não posso, meu filho, tenho de trabalhar, resolver meus problemas.
- Mas pai, você prometeu, já faz uma semana que eu estou esperando.
Nessa hora, o pai põe a mão na consciência, lembra-se da promessa e de que já havia protelado por três vezes esse momento de lazer. Mas como fazer, se ele tinha de trabalhar, trabalhar, trabalhar?
Então, ele vê sobre a mesa uma revista, abre em uma página qualquer e depara-se com um desenho do mapa-mundi. Repara que os países parecem peças de um quebra-cabeça. Toma imediatamente uma tesoura e corta a página em pedacinhos. Ele dá ao filho e diz:
- Tome, filho, monte este quebra-cabeça enquanto faço o meu trabalho. Quando terminar, a gente brinca.
A criança aceitou o desafio e o pai sentiu-se aliviado, seguro de que teria mais duas horas de sossego para trabalhar. Mas em quinze minutos a criança volta, orgulhosa, com um sorriso nos lábios, e diz ao pai:
- Já montei!
- Como? Pergunta o pai, assustado e surpreso. - Como fez isso? Como conseguiu, com apenas oito anos, reconstruir tão rápido o quebra-cabeça? Você nem conhece os países, como você reconstruiu o mundo?
A criança responde:
- Foi fácil, meu pai; você nem percebeu porque estava muito ocupado, mas atrás da página do mapa-mundi tinha o desenho de um homem. Primeiro eu montei o homem, depois, com os pedaços que sobraram, reconstruí o mundo.
Foi nessa hora que o pai percebeu que devia parar de trabalhar e brincar com o filho. Ele acordou de sua obsessão pelo trabalho e descobriu que para reconstruir qualquer coisa neste mundo é preciso começar pelo homem. Começar pelo ser humano que ali estava, sentado na frente de uma criança que só queria brincar, brincar de viver.

Fonte: Porque é importante sonhar, Clóvis Tavares, Editora Gente